O hotel Bom Jesus, localizado na Vila Pinheiros, e um dos mais tradicionais do municÃpio, teve um prejuÃzo de mais de R$ 35 mil com a decisão da Federação Paulista de Futebol (FPF) de excluir Mogi Guaçu como uma das cidades-sede da Taça São Paulo de Futebol Júnior, umas das principais competições no gênero do futebol brasileiro.
A decisão deixou perplexo o proprietário do hotel, Osmir Tozo, que fora convidado a participar de uma concorrência pública da qual ganhou, mas que viu o placar das suas receitas perderem para uma tática que não respeitou sequer a decisão do poder público municipal, que entrou em campo para evitar justamente supostos favorecimentos e superfaturamentos de participantes do processo licitatório.
O Bom Jesus venceu a concorrência apresentando o menor preço dentre os concorrentes incritos na licitação: R$ 95 por pessoa. Outro hotel, o Taguá, apresentou um valor quase duas vezes maior, ou seja, R$ 180.
Já o hotel Baradah, que havia sido indicado pelo delegado da FPF, Ademir Falseti, o Bibi, para atender as delegações do Juventus, Vila Nova (GO), Juventude (RS) e XV de Piracicaba, foi excluÃdo da concorrência pela comissão municipal de licitação (CML) devido à ausência de documentos exigidos no edital licitatório.
Em tempo: todos os hotéis guaçuanos foram convidados a participarem da licitação, mas somente os três acima mencionados apresentaram propostas, sendo a do Bom Jesus a mais competitiva. Além disso, segundo apurou a reportagem, a CML decidiu pela concorrência por causa dos preços praticados pelo Baradah, que supostamente extrapolariam a verba destinada ao custeio de hospedagens das delegações.
O valor sugerido por Osmir, como é mais conhecido, daria para atender com folga a extensa lista de exigências da FPF para suprir as demandas de pernoites (10 diárias) para 100 pessoas, entre jogadores e comissão técnica. Também estavam inclusos no serviço 3 cafés por dia com 2 tipos de frutas, 2 tipos de frios e sucos, além de almoço, jantar e serviços de lavanderia.
Para hospedar tanta gente, o hotel iria disponibilizar pelo menos 53 apartamentos (sendo 12 em uma pousada de padrão premium) com banheiro, televisor, ventiladores e internet. Cerca de 30% dos apartamentos tinham frigobar, mas outros 10 aparelhos foram comprados para atender as exigências da FPF.
O proprietário do hotel também adquiriu edredons e jogos de cama novos, mesas, cadeiras e ventiladores. O pequeno batalhão teria ainda regalias como uma nutricionista para compor o cardápio das refeições, e mais dois cozinheiros, dois ajudantes, duas arrumadeiras e duas lavadeiras se somariam aos funcionários que já trabalham diariamente no local.
O prejuÃzo também é contabilizado com os alimentos. Osmir simplesmente não sabe o que fazer com o estoque extra de carnes, frutas e legumes, que já começam a estragar. Uma solução, segundo o empresário, é doar parte do excedente. "Não vai ter outro jeito", disse entristecido.
Além das perdas diretas, outras indiretamente serão contabilizadas, pois pensando em fazer o melhor para os boleiros, Osmir dispensou pernoites de trabalhadores de empresas que há anos se hospedam no hotel para prestar serviços tercerizados em firmas de Mogi Guaçu. As que já tinham contrato com o Bom Jesus o empresário teve que enfiar a mão no bolso para alugar duas casas em uma imobiliária da cidade.
SEM ENTENDER
Osmir não entende como pôde uma licitação ser desfeita apenas com a palavra de um agente da FPF "que sequer vistoriou o hotel, ouviu os responsáveis dos times ou deu atenção ao que o secretário de esportes da prefeitura, Carlos Ferrari, tinha a dizer", ponderou ele.
"Ao contrário do Ferrari, que veio ao hotel e atestou a sua qualidade, o Ademir Falseti não pôs os pés nele. É uma injustiça o que aconteceu comigo", argumenta, sem deixar de mencionar que contratou um advogado para tentar recuperar na Justiça o prejuizo financeiro.
A cidade também perdeu esta partida inglória, já que teve transferidas para Piracicaba os jogos que seriam disputados no Camachão.
E o mais contraditório é que o XV de Piracicaba aprovou as instalações do Bom Jesus, mediante fax enviado pela diretoria do clube, de acordo com Osmir. "E não só o XV, mas o Juventus e o Vila Nova também aprovaram. Só faltava o Juventude, que pediu a retirada de algumas beliches. O que seria feito o mais rápido possÃvel", finalizou.
Leia mais sobre este assunto na edição 9/01/10 do jornal CORREIO DO POVO