Viação Mogi Guaçu terá de enfrentar concorrência pública PDF Imprimir E-mail
Escrito por Fernando Parizi   
Sex, 16 de Outubro de 2009 20:39

Dr. Paulinho: concorrência será aberta pela primeira vezAinda este ano, a Prefeitura vai abrir licitação para exploração do serviço de transporte coletivo de Mogi Guaçu, segundo anunciou nesta sexta-feira o prefeito Paulo Eduardo de Barros, Dr. Paulinho (PV).
O anúncio foi feito em entrevista coletiva à tarde. O prefeito afirmou que vai rescindir o contrato de 10 anos firmado na gestão do ex-prefeito Hélio Miachon Bueno (PMDB) com a Viação Mogi Guaçu e que a diretoria da empresa já foi avisada da decisão e teria concordado com a abertura de licitação.
Na próxima semana Paulinho vai assinar decreto que reajusta a tarifa do transporte coletivo. Ao assumir o mandato em janeiro, um dos primeiros atos do atual prefeito foi cancelar o reajuste que elevava o preço para R$ 2,30, concedido por Miachon em dezembro.
Paulinho fixou a tarifa em R$ 2,00. Na entrevista desta sexta-feira ele revelou que a empresa quer R$ 2,45, conforme pedido baseado em planilha de custos encaminhado ao Conselho Municipal de Trânsito (Comutran), órgão da Secretaria de Obras e Viação (SOV) que analisa propostas da concessionária e apresenta contraproposta para o prefeito decidir o reajuste.
O prefeito antecipou que não passará de R$ 2,20.
Ele disse que vai abrir concorrência pública para exploração do transporte coletivo urbano de Mogi Guaçu ainda este ano, para um período de concessão de 25 anos. A Viação Mogi Guaçu, fundada pelos irmãos Bortoto em 1966, opera o serviço há 43 anos.
Esta semana, motoristas e cobradores decidiram entrar em greve a partir da próxima segunda-feira por aumento salarial. A paralisação só não ocorreria se a empresa apresentasse uma contraproposta.
Pelo que foi divulgado pela imprensa, a Viação Mogi Guaçu justifica não poder dar aumento salarial porque o valor da tarifa estaria defasado. Na entrevista coletiva desta sexta, Dr. Paulinho argumentou que concederá reajuste de tarifa, mas que a questão da greve é assunto administrativo da concessionária.
Paulo Eduardo de Barros afirmou que nada tem contra a Viação Mogi Guaçu, mas destacou que a empresa que vencer a licitação terá de cumprir uma série de exigências operacionais que serão estipuladas com base em resultados de estudos sobre o transporte coletivo de Mogi Guaçu que empresa contratada pela SOV teria concluído há cerca de um mês.
Segundo o prefeito, será a primeira vez que a Prefeitura abrirá concorrência pública para exploração do transporte coletivo urbano de Mogi Guaçu.
O Jornalístico obteve informações de que, segundo o levantamento, a SOV apurou até mesmo a frequência de passageiros por pontos de onibus. A pesquisa teria constatado também que usuários de passe gratuito usam do benefício para fazer serviços para grupos de pessoas no centro da cidade como "bico".
Há aposentados beneficiários do passe gratuito que passeiam de onibus, geralmente no final da tarde, horário de pico, e já foi constatado caso em que tomaram o onibus no ponto do supermercado Big Bom para descer no ponto seguinte, em frente do posto de combustíveis Parque Cidade Nova, no bairro de mesmo nome.
Em 30 de julho deste ano, os secretários municipais de Negócios Jurídicos, João Reis, de Governo, Nelson Aníbal de Luiz, Nelsão, de Obras e Viação, Marcos Mesquita, e o ouvidor-geral do Município, Sebastião Francisco Teodoro, Tiãozinho, todos ex-vereadores, deram entrevista coletiva à imprensa para contestar a decisão da Viação Mogi Guaçu de suspender a gratuidade do passe para aposentados com menos de 65 anos de idade.
A empresa se baseou em lei federal, mas João Reis afirmou que a lei municipal 2.520 garante a aposentados e pensiuonistas o benefício e que, por ser o transporte coletivo responsabilidade da Administração Municipal, a concessionária não poderia ter tomado a decisão sem antes consultar a SOV e o Comutran. Reis ameaçou inclusive intervenção do Município na empresa, que dias depois recuou e continuou a aceitar o passe àqueles que excluríra do benefício.
Na ocasião, João Reis afirmou que a Prefeitura não mais negociaria com a Viação Mogi Guaçu enquanto Carlos Francisco Massaro continuasse no cargo de gerente da empresa.
Há 43 anos, exceto os irmãos Bortoto, ninguém tinha interesse em explorar o transporte coletivo em Mogi Guaçu porque a cidade era pequena, com poucos habitantes. A família Bortoto adquiriu os primeiros três onibus em São Paulo, batizados com nomes curiosos, como "Rã Pimenta".
Eram veículos altos e invariavelmente entalavam sob pontes da antiga linha ferroviária, sobre cujo leito foi construída a avenida dos Trabalhadores. Crianças da família Bortoto, entre elas a ex-professora de sanfona Darci Bortoto Risseto, uma das herdeiras dos irmãos Bortoto que há alguns anos foi diretora da empresa, andavam no "Rã Pimenta" e nos outros onibus para incentivar a população a usar o novo meio de transporte.
Um dos primeiros onibus da VMGQuase sempre, eram insultados com adjetivos como "coiós" (ignorantes, caipiras) e o serviço era taxado de "cata-coió", numa alusão jocosa  que associava o "Cata" (São Paulo) à Caio, fabricante de carrocerias de onibus. Quando o velho coletivo entalava sob pontes, os pneus eram esvaziados um pouco e os passageiros - as crianças da família dos fundadores - pulavam para que o veículos conseguisse fazer a passagens aos solavancos.
Em 1971, os irmãos Mazon, da família fundadora da Viação Santa Cruz, de Mogi Mirim, associaram-se aos Bortotos e a Viação Mogi Guaçu começou a se expandir, ampliando a frota e construíndo a garagem do Jardim Ypê II. Hoje são duas de diversas empresas coligadas que tem como "holding" a Multpart, dona da área da anetiga Cerâmica Martini, no centro da cidade.
Dois secretários municipais conhecem pelo menos parte da história da Viação Mogi Guaçu: João Reis, de família tradicional da Vila Paraíso, e o publicitário Luciano Antonio da Silva, titular da Secretaria de Comunicação Social. Reis mora na rua dos Operários, paralela à rua D. Pedro I, onde os Bortotos instalaram a garagem original da empresa.
João, conhecido como Café, pai de Luciano, foi gerente da concessionária e vem daí sua amizade com o ex-prefeito Hélio Miachon Bueno, com quem jogava futebol, e o ex-secretário de Obras e Viação (segunda gestão do ex-prefeito Walter Caveanha, PTB, 1989-1992), ex-vereador e ex-candidato a prefeito Daniel Rossi (PMN), hoje adversário político de Paulo Eduardo de Barros.
A Viação Mogi Guaçu mantém um site em www.vmgu.com.br.  

Última atualização em Dom, 25 de Outubro de 2009 20:49